segunda-feira, 27 de maio de 2013

Hello, world



Se me dissessem há um ano atrás que hoje estaria em vésperas de ir para Angola, não acreditaria nisso nem por um nanosegundo. Também não acreditaria que estaria a escrever um blog meu, diga-se...
Mas é verdade. Cá estou eu, a desafiar o pré-concebido, o expectável, e, com isso, a começar a quebrar as primeiras barreiras nesta grande aventura que se me avizinha.

Penso que é bom, e sempre desejei passar por uma experiência destas. Quando somos colocados num contexto completamente diferente do nosso, conseguimos ter uma noção muito clara daquilo que somos capazes e daquilo que queremos para nós. Ainda assim, desde que tomei "a decisão", há alturas em que só me apetece cavar um buraco e enfiar-me lá para todo o sempre. Isto de tomar decisões difíceis é do camandro...  

Antes de mais, penso ser oportuno fazer uma breve apresentação. Sou Engenheira Civil, portuguesa, tenho 28 anos, e como podem depreender faço parte daquele grupo de pessoas que escolheu a profissão numa altura em que o mundo (aquele das obras e tal...) era outro. 

Não sou nenhuma iluminada e sempre desejei para mim o que todo o comum mortal deseja: sucesso profissional, independência financeira, e uma vida rodeada das pessoas de quem mais gosto. Tudo com muita saúdinha à mistura, claro está... :)
Contudo, e depois de vários meses à procura de trabalho, cheguei à conclusão que de momento não consigo ter tudo, pelo que me forcei a tomar uma decisão muito (mesmo muito) difícil.

De facto, após inúmeras investidas em feiras de emprego, perto e longe de casa, de respostas a anúncios de jornais, editais, sites de emprego da internet, plataformas de networking, conversas com "connects", candidaturas a Estágios, Bolsas, e por aí fora... a frustração crónica começou a ganhar corpo. 
Ver colegas da faculdade desempregados há 2 anos, muitos sem terem trabalhado um dia sequer na área de formação, ver colegas mais velhos mergulhados no desemprego e com família para sustentar, pessoas altamente qualificadas a candidatarem-se a trabalhos indignos das suas qualificações e experiência, pessoas há 25 anos na mesma empresa e a serem mandadas embora, muitas vezes com um enorme pesar da entidade patronal... enfim, tudo isso despoletou em mim uma angústia desgastante. É como se um caraças de um elefante se tivesse alapado em cima dos meus ombros, sem querer sair mais dali.

Well, you get the picture! As coisas vão muito mal aqui pelo burgo. E quando as coisas vão mal mas surge uma oportunidade para trabalhar numa empresa com obras de grande dimensão, com uma remuneração apelativa, e com um mundo de possibilidades imprevisíveis no horizonte, mesmo não sendo o nosso ideal de trabalho e mesmo tendo que se deixar (temporariamente) as pessoas que amamos para trás, uma "gaja" tem de tentar. Certo? Pelo menos tentar. 

[Respirar fundo...]

E pronto, foi assim que me convenci a ir para a província de Huíla, por uma temporada, mais precisamente para a cidade do Lubango (antiga Sá da Bandeira). Este será o local que me irá acolher nos próximos tempos e sobre o qual irei postar as vivências que achar dignas de registo, dentro da minha disponibilidade de tempo.

Ainda sem viagem marcada, mas sabendo que irá ser esta semana, sinto-me um pouco ansiosa. É uma sensação estranha mas normal, dado o que ainda tenho de tratar...!! Nós, mulheres, temos uma logística de mala muito complicada. Tudo é necessário, mesmo aquilo que nunca precisamos. Mas isso, serão as cenas para os próximos capítulos... 

Para já despeço-me, que os ponteiros do relógio passam à velocidade da luz.

Kiss, kiss.

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